Ao contrário do que muitos falam, o mercado de tradução permanece de pé, ainda que a Ferramentas de Tradução e a Inteligência Artificial estejam cada vez mais aprimoradas.
O tradutor permanece tendo o seu lugar garantido no mercado de tradução, mas isso não quer dizer que as coisas estejam fáceis. O tradutor precisa dominar as novas tecnologias que são tendência no mercado, competir com profissionais especializados, lidar com a desvalorização do seu trabalho com taxas que estão cada vez menores, além de ser pressionado a cumprir prazos irreais.
Porém, esses são de longe os maiores problemas do tradutores, pois eles entraram no radar de golpistas, que estão a cada dia mais sofisticados e profissionais.
Apesar de parecer que é impossível aplicar um golpe em um tradutor, já que ele é um prestador de serviço e no máximo o que pode acontecer é a inadimplência, existem algumas formas de fazer isso.
Mas você pode estar se perguntando: como o golpe realmente acontece?
Os golpistas entram em contato com o tradutor através de plataformas seguras (Proz, Linkedin, Workana etc) e enviam uma proposta de trabalho com uma taxa bem atrativa. Eles apresentam nomes reais, empresas reais, endereço, e-mail comercial, além de responder atentamente aos detalhes do projeto.
Os golpistas até enviam um contrato e solicitam que você assine um NDA (Acordo de Não Divulgação).
Depois de tudo certo, o tradutor realiza o trabalho e quando finalmente o entrega, recebe um retorno com muitos elogios ao seu trabalho e uma proposta de colaboração a longo prazo.
Depois que o tradutor se envolve com o projeto, fica difícil perceber algumas “red flags” que estavam ali o tempo todo e quando finalmente é encaminhado para o financeiro, para assim receber o pagamento, as coisas começam a ficar estranhas.
Os golpistas, apesar de não parecerem afobados e demonstrarem ter muita paciência para deixar o tradutor ansioso para o seu pagamento, alegam problemas com o PayPal e/ou com a transferência bancária e enviam links de carteiras digitais de criptomoedas para que você possa finalmente receber o seu merecido pagamento pelo seu trabalho e depois de alguns minutos você recebe um print do comprovante de pagamento.
Então é aí que o problema acontece: o tempo passa e o pagamento não compensa.
Na tentativa de te “ajudar” o golpista de dá uma série de orientações, que culmina com o pedido para que você faça um depósito na sua carteira digital para que ela seja acionada e no fim, você resgata esse dinheiro junto com o seu pagamento.
Mas isso nunca acontece, pois o golpista tem acesso àquela carteira digital e saca o seu depósito, fazendo você perder o seu tempo de trabalho e o seu dinheiro.
Mas dá para evitar cair nessa armadilha?
Sim, é possível fugir desses golpes prestando atenção em alguns detalhes. Confira as dicas a seguir:
• Fique atento a classificação do empregador, quando a proposta for recebida em plataformas como Proz;
• Solicitações privadas sempre são suspeitas, nunca aceite sem uma boa análise de perfil;
• Normalmente o e-mail do contratante é comercial, mas o nome não condiz com o da empresa que eles dizem fazer parte. Cuidado, geralmente a diferença é bem sutil, como por exemplo: amazzon ao invés de amazon;
• Erros de ortografia ao longo do texto;
• Taxas muito altas, fora da realidade do mercado;
• Material a ser traduzido não condizente com a suposta empresa. Por exemplo, um texto sobre biologia para uma editora que só trabalha com publicações jurídicas;
• Texto a ser traduzido extremamente simples e genérico;
• E o mais importante: Nunca clique em links de contas ou faça depósitos, ainda que exista a promessa de um saque futuro.
Eu sei que pode parecer simples e básico, mas essas dicas podem ser úteis para quem está começando no mercado de tradução ou para aqueles tradutores que estão migrando de um emprego fixo e estão se tornando autônomos.
Espero ter ajudado e até uma próxima!
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